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Um Xeon de 2016 comprado no AliExpress, um gabinete velho e peças de prateleira, rodando Proxmox com TrueNAS, Immich, Plex, Pi-hole e Kestra em cima.
Antes de tudo, um aviso
Eu escrevi esse texto longe de casa. Estou viajando pela Europa como nômade digital e não tenho acesso à máquina agora, nem para conferir um número nem para tirar uma foto decente dela. O que está aqui é o que eu lembro de cabeça, e o resto eu completo quando voltar. As imagens são as fotos de anúncio das peças, porque foi o que deu para fazer daqui.
O que é
Um gabinete montado peça por peça que virou o servidor da casa. Roda Proxmox, e em cima dele ficam o TrueNAS, o Immich, o Plex, o Pi-hole e o Kestra. Ele mora embaixo de tudo, ligado o tempo todo, e na maior parte dos dias eu esqueço que ele existe. Que é mais ou menos o elogio que dá para fazer a um servidor.
A compra que começou tudo
Em 18 de setembro de 2023 eu comprei um kit no AliExpress: placa-mãe QIYIDA X99, soquete LGA2011-3, com um Xeon E5-2680 v4 e 32 GB de DDR4 em dois pentes de 16 GB. O link que eu tinha salvo não abre mais, que é o destino normal de um anúncio do AliExpress depois de dois anos.

A conta que me convenceu na época foi simples. O E5-2680 v4 é um processador de servidor de 2016, com 14 núcleos e 28 threads, e em 2023 ele custava menos que um processador de entrada novo. Para uma máquina que ia passar a vida rodando várias coisas pequenas ao mesmo tempo, núcleo barato vale mais que núcleo rápido.
O anúncio vende a memória como 3200 MHz, e vale marcar que isso é número do pente e não da máquina: o E5-2680 v4 é de 2016 e não passa de DDR4-2400. É o tipo de detalhe que some no meio de um título de anúncio de AliExpress com quinze vírgulas.
O kit inteiro, placa-mãe mais processador mais os 32 GB de memória, saiu por R$ 503,34.

Escrevendo isso hoje, um pente avulso de 16 GB de DDR4 sozinho custa mais do que eu paguei no kit inteiro. Quer dizer que só a memória que veio dentro da caixa já vale mais que o dobro do que eu paguei em tudo, processador e placa-mãe de brinde. Não foi faro para investimento, foi sorte de ter comprado antes de memória virar artigo de luxo.
Só tinha uma porta M.2
Coloquei um SSD NVMe de 256 GB para o sistema e quis expandir. Aí descobri o problema óbvio dessas placas: acabaram as portas. Comprei um adaptador de M.2 NVMe para PCI-e, dos que ocupam um slot x4 e entregam a linha inteira para o disco.

É uma peça boba e resolve bem. A placa tem slot PCI-e sobrando justamente porque é uma plataforma de servidor, então trocar slot por porta de disco sai barato.
O resto veio da prateleira
O gabinete é um Thermaltake antigo que eu já tinha, e o primeiro boot foi com uma fonte velha que estava sobrando. Hoje quem alimenta a máquina é uma MSI MAG A550BN, 550 W, 80 Plus Bronze, com PFC ativo.

O cooler é um Redragon TYR CC-9104B, 120 mm, PWM, quatro heat pipes, com LED azul que ninguém nunca vê porque a lateral do gabinete fica fechada. Ele é especificado para 130 W e o processador tem TDP de 120 W, então sobra pouco no papel.

Uma placa de vídeo por causa do Plex
A placa de vídeo entrou na lista por um motivo só, e o motivo era o Plex. Eu já sabia que queria rodar ele nessa máquina e parti do princípio de que precisaria de pelo menos alguma placa para dar conta do trabalho de vídeo. Comprei a mais barata que encontrei, uma AFOX Radeon R5 220 de 2 GB DDR3, 64 bits, low profile e passiva.

Fora essa função ela não faz mais nada. Depois que o Proxmox subiu, tudo passou a ser pelo navegador, e acho que ninguém ligou um monitor nessa máquina de novo desde a instalação. Se ela ajuda mesmo no que eu imaginava na hora de comprar, é uma das coisas que eu quero medir com calma quando voltar.
O HD que eu esperei para comprar
Eu sempre quis ter um NAS em casa. A ideia nunca mudou: guardar tudo dentro da minha rede, no meu disco. As fotos antigas, os vídeos, o meu Google Drive e a minha Netflix, sem depender de assinatura e sem depender de alguém decidir mudar o preço ou tirar uma coisa do ar.
O que segurou foi o preço. HD de NAS é caro, e é caro por um motivo: ele é feito para girar o dia inteiro, todo dia, coisa que um HD de desktop não promete. Então eu esperei. Num dia qualquer apareceu uma promoção e eu comprei na hora um Seagate IronWolf de 4 TB, SATA, 5400 RPM, 256 MB de cache.

Foi a peça que virou a chave. Antes dela eu tinha uma máquina rodando serviços. Depois dela eu tinha onde colocar as coisas.
Em cima de tudo, o Proxmox
Com a máquina montada, instalei o Proxmox e fui subindo serviço por serviço.

TrueNAS. É quem guarda os dados e serve o IronWolf para o resto da casa. Foi a parte que deu mais trabalho e também a que eu mais tenho certeza de ter feito direito, porque é o ponto onde tudo se encontra: as fotos do Immich, a biblioteca do Plex e os backups saem todos do mesmo lugar.
Immich. O meu Google Fotos. O aplicativo no celular manda as fotos sozinho, e a partir dali elas estão em casa em vez de estarem no servidor de outra pessoa. É o serviço que mais justificou o projeto inteiro para quem mora comigo.
Plex. A minha Netflix. Catálogo meu, sem assinatura e sem aquela história de a série sumir do ar no meio da temporada.
Pi-hole. O mais fácil de todos, de longe. Tem tutorial em qualquer canto da internet, o passo a passo é curto e numa tarde está funcionando. Como ele filtra propaganda no DNS, vale para a casa inteira de uma vez, incluindo a TV e o celular de quem só veio visitar.
Kestra. Os jobs agendados, e a parte que eu mais mexo. É onde ficam as automações que eu não quero rodando no meu notebook, justamente porque elas precisam acontecer mesmo com ele desligado.
O que ainda falta escrever
Esse texto está incompleto de propósito. Faltam as versões exatas, como cada serviço está isolado, o que passa por VM e o que passa por container, como o TrueNAS está configurado por baixo e se a placa de vídeo faz pelo Plex o que eu imaginei que ela faria. Nada disso eu consigo conferir de onde eu estou, e eu prefiro deixar o buraco visível a preencher com chute.
Quando eu voltar da viagem eu abro a máquina, tiro as fotos de verdade e atualizo isso aqui.